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IA agora quer ajudar você a escolher amigos e até parceiros

Protótipo usa agentes personalizados para simular conversas e sugerir conexões humanas, mas a ideia ainda esbarra em dúvidas técnicas, sociais e científicas.

IA agora quer ajudar você a escolher amigos e até parceiros

Um grupo de desenvolvedores de Londres criou um experimento que tenta usar agentes de IA como intermediários para amizades, trabalho e até relacionamentos amorosos. A proposta do projeto Pixel Societies é simples de entender e ambiciosa na prática. A ideia é fazer “gêmeos digitais” conversarem entre si para descobrir quais pessoas poderiam combinar na vida real.

A ideia chama atenção porque mexe com uma promessa antiga da tecnologia. Em vez de depender do acaso, da timidez ou do excesso de escolhas em apps, os usuários poderiam deixar avatares inteligentes testarem interações por eles. O objetivo seria reduzir tentativa e erro e apontar conexões mais promissoras.

Como funciona o experimento

Cada agente roda sobre uma versão personalizada de um modelo de linguagem. Ele recebe dados públicos sobre uma pessoa e também informações adicionais fornecidas por ela. A meta é reproduzir traços de fala, interesses, estilo e comportamento com alta fidelidade.

Na simulação descrita pela Wired, o agente criado a partir do perfil de um jornalista caminhava por um escritório virtual em pixel art, conversando com agentes de outras pessoas. O resultado, porém, ficou longe de um retrato perfeito. O avatar inventou viagem para a Suécia, citou uma reportagem inexistente e repetiu frases prontas de jornalista.

Ou seja, a promessa de um “gêmeo digital” convincente ainda depende muito da qualidade e da quantidade de dados inseridos.

De hackathon a plataforma social

O Pixel Societies nasceu durante um hackathon na Faculdade Universitária de Londres com apoio de Nvidia, HPE e Anthropic. Em dois dias, Tomáš Hrdlička e os irmãos Joon Sang Lee e Uri Lee criaram o protótipo.

A equipe usou um modelo de imagem para gerar os avatares e ferramentas de automação para montar o código. Depois, simulou um mini-hackathon dentro do próprio mundo virtual, com agentes representando outros participantes. O projeto recebeu da Anthropic um prêmio pelo melhor uso de suas ferramentas para agentes.

Agora, os criadores querem levar a ideia adiante. O plano é transformar o experimento em algo menos fechado e mais próximo de uma plataforma social, com agentes interagindo de forma contínua.

O namoro por agentes é a aposta central

Entre as pessoas que testaram o protótipo, o pedido mais comum foi um só: usar os agentes para sugerir parceiros românticos reais com base na química virtual. Os criadores enxergam essa função como um dos pilares da futura plataforma.

A lógica por trás disso conversa com uma crítica antiga aos aplicativos de namoro. Para o psicólogo Paul Eastwick, apps baseados em algoritmo criam um mercado desigual, no qual pessoas consideradas mais atraentes concentram atenção. Na visão dos desenvolvedores, os agentes poderiam revelar combinações mais sutis, que passariam despercebidas numa rolagem rápida de perfis.

A ciência ainda levanta dúvidas

Porém, estudos sugerem que a compatibilidade é muito difícil de prever com base em hobbies, valores, política, profissão e preferências, que são justamente os dados mais fáceis de informar a um sistema.

Isso porque o fator mais confiável é o tempo passado juntos e o modo como duas pessoas se entendem logo no início do primeiro encontro. Compatibilidade, nessa visão, cresce como uma história construída a dois, e não como uma conta resolvida antes do contato.

Além disso, permanecem perguntas práticas. Interações entre agentes realmente dizem algo sobre pessoas reais? Quanto custaria rodar isso em larga escala? E como criar um modelo de negócios que não dependa de usuários continuarem solteiros?

Entre eficiência e estranhamento

O projeto também esbarra em um possível desconforto social. Parte das pessoas pode rejeitar a ideia de terceirizar decisões amorosas para a IA. Ainda assim, há um apelo claro na automação dessa etapa. Buscar companhia online virou uma tarefa cansativa para muita gente, quase como um trabalho extra.

Os criadores defendem que os agentes podem justamente reduzir o tempo gasto diante da tela. Assim, em vez de passar horas tentando “vencer no swipe”, o usuário delegaria a triagem inicial e entraria em cena só quando houvesse chance real de conexão.

Porém, por enquanto, o Pixel Societies segue como prova de conceito. A ambição, no entanto, é grande: transformar simulação em ponte social no mundo real.

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