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IA pode deixar sua corrida de Uber mais cara

Investigação encontrou diferenças de até 50% entre preços de corridas iguais e levantou dúvidas sobre descontos em apps.

IA pode deixar sua corrida de Uber mais cara

Uber e Lyft, duas empresas que oferecem serviço de transporte por aplicativo, usam algoritmos com inteligência artificial para definir preços de corridas nos Estados Unidos. Uma investigação do Consumer Reports feita em março e abril de 2026 mostrou diferenças grandes em viagens iguais, no mesmo horário e no mesmo trajeto.

O alerta está na falta de transparência. Duas pessoas podem pedir a mesma corrida, quase ao mesmo tempo, e ver valores bem diferentes.

O preço da corrida ficou menos previsível

A investigação analisou preços anunciados nos aplicativos antes da contratação da viagem. Voluntários checaram rotas em 17 estados dos Estados Unidos, sempre buscando reduzir variações de horário.

O teste definiu “mesma corrida” como uma viagem com o mesmo ponto de partida e chegada. Os preços apareceram com poucos minutos de diferença. Em muitos casos, as cotações surgiram no mesmo minuto.

Mesmo assim, todas as 30 rotas testadas mostraram pelo menos dois grupos de preços. Em várias delas, a diferença cresceu bastante.

A mediana entre o menor e o maior grupo de preços ficou perto de 50%. Para quem usa app com frequência, isso muda o cálculo do transporte diário, do aeroporto e da volta para casa.

O caso mais extremo teve 29 preços

Uma rota em Kansas City, no Missouri, gerou 29 preços diferentes para 55 potenciais clientes. Todos buscavam a mesma corrida no mesmo horário.

Outro teste, com 10 viagens para aeroporto em Portland, no Oregon, mostrou oito preços diferentes para o mesmo trajeto em horários parecidos.

Esses números indicam algo maior que uma simples oscilação por demanda. A tarifa dinâmica costuma subir quando há mais passageiros que motoristas. Aqui, o problema envolve pessoas vendo preços distintos para a mesma condição de uso.

O desconto também entrou na investigação

Os aplicativos também mostraram descontos em parte relevante das ofertas. Cerca de 50% dos preços antecipados indicavam algum desconto.

A análise apontou que quase 11% dos descontos anunciados nas duas plataformas pareciam partir de preços originais inflados. A investigação classificou esse grupo como falso desconto.

Essa prática preocupa porque reduz a capacidade de comparação. O usuário vê uma promoção, mas não sabe se o preço de referência existia de fato.

Phil Radford, presidente e CEO da Consumer Reports, disse que as pessoas esperam alta de preço quando a demanda cresce. A surpresa, afirmou, está em usuários receberem valores diferentes pela mesma corrida ao mesmo tempo.

A caixa-preta que decide quanto você paga

Uber e Lyft usam algoritmos complexos para calcular preços rapidamente. As empresas afirmam que não usam dados pessoais para definir preços-base. Elas reconhecem uso desses dados em descontos e promoções.

Esse detalhe importa porque a personalização pode afetar a confiança no app. O consumidor não sabe quais critérios pesam no preço final.

Também há impacto para motoristas. A análise mostrou que Uber e Lyft retêm entre 43% e 49,5% de cada tarifa.

Uma pesquisa nacional com 2.183 adultos nos Estados Unidos indicou que a maioria acha que motoristas devem ficar com a maior parte, ou todo o valor da corrida.

O que o consumidor pode fazer agora

O efeito no Brasil não consta na investigação. Também não há informação sobre preços em reais, cidades brasileiras ou regras locais.

Mesmo assim, o caso serve como alerta prático. Quem usa apps de transporte deve comparar Uber e outros apps quando houver opção. Também vale checar o preço em mais de um celular, principalmente em corridas caras.

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