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NASA vai gastar quase R$ 1 bilhão em “frete” para levar cargas à Lua

NASA fecha contrato com a Intuitive Machines para levar sete encomendas ao polo sul da Lua na missão IM-5.

NASA vai gastar quase R$ 1 bilhão em "frete" para levar cargas à Lua

A NASA anunciou um contrato de US$ 180,4 milhões (R$ 948 milhões) com a empresa norte-americana Intuitive Machines para transportar sete cargas científicas e tecnológicas à região do polo sul da Lua. A missão integra a iniciativa Serviços Comerciais de Carga Lunar, ligada ao programa Artemis, e deve levar ao destino um rover da Agência Espacial Australiana e tecnologias desenvolvidas pela Honeybee Robotics, empresa do grupo Blue Origin.

O alvo da missão será Mons Malapert, uma crista próxima ao polo sul lunar apontada como estrategicamente importante para a futura exploração humana e robótica. A escolha do local não é casual. Isso porque a área combina dois atrativos valiosos: visibilidade contínua da Terra e acesso a regiões permanentemente sombreadas.

Na prática, isso pode torná-la útil tanto para comunicações quanto para navegação e estudos de recursos lunares.

Missão reforça papel da empresa no plano lunar da NASA

Esta será a quinta missão de entrega da Intuitive Machines dentro do programa da NASA. Também será a primeira a exigir o uso do módulo de pouso lunar Nova D, uma versão maior do veículo da empresa. O voo recebeu a designação IM-5.

A contratação amplia a presença da companhia em uma fase importante da estratégia lunar dos Estados Unidos. No mesmo dia do anúncio, o chefe da agência espacial americana, Jared Isaacman, apresentou mudanças no programa Artemis, incluindo a meta de enviar mais módulos robóticos à Lua e de preparar o terreno para o uso de energia nuclear na superfície lunar.

Por isso, a missão da Intuitive Machines não é apenas mais uma entrega de equipamentos. Ela faz parte de um esforço mais amplo para transformar a Lua em uma área de operações mais frequentes, com infraestrutura crescente e missões de longo prazo.

O que a missão vai levar até a Lua

A carga útil da IM-5 reúne instrumentos com funções bem diferentes, mas complementares. Um dos destaques é o rover lunar da Agência Espacial Australiana, chamado Roo-ver.

A missão também transportará o sistema Dosímetro de Radiação para Veículo Lunar, formado por quatro detectores de radiação. Esse tipo de equipamento é importante porque a superfície lunar está exposta a um ambiente hostil, sem a proteção de uma atmosfera como a da Terra. Medir essa radiação ajuda a planejar futuras operações com robôs e astronautas.

Outro item da lista é o Matriz de Retrorefletores a Laser da NASA, além das Câmeras Estéreo para Estudos da Superfície de Plumas Lunares. Também estão programados o Sanctuary, descrito como uma cápsula do tempo com discos de safira, o Espectrômetro de Massa para Observação de Operações Lunares e o Sistema de Espectrômetro de Voláteis no Infravermelho.

Além disso, o módulo de pouso também carregará um rover lunar da Honeybee Robotics, que hospedará o conjunto de instrumentos chamado NIRVSS. A empresa atua no desenvolvimento de sistemas robóticos para missões planetárias e pode oferecer capacidades adicionais, como amostragem e sensoriamento.

Por que Mons Malapert se tornou um ponto tão valioso

Mons Malapert aparece como um dos lugares mais promissores da Lua para futuras missões. O motivo envolve geografia e operação. Sua posição próxima ao polo sul oferece visão contínua da Terra, algo valioso para manter contato constante com controladores e transmitir dados.

Ao mesmo tempo, a área fica próxima de regiões permanentemente sombreadas. Esses locais interessam muito à exploração lunar porque podem preservar materiais voláteis. Em termos simples, são regiões frias e escuras que funcionam como cofres naturais, mantendo substâncias que poderiam ser úteis em futuras missões.

Um contrato que vai além do pouso

A Intuitive Machines destacou que já completou a missão IM-1 como a primeira nave comercial a pousar na Lua. Agora, a empresa prevê voos adicionais, incluindo IM-3, IM-4 e IM-5, e informou que poderá haver capacidade comercial extra além da carga do contrato da NASA.

Dessa forma, a iniciativa mostra que a NASA está ampliando o uso de parceiros comerciais para levar ciência, tecnologia e infraestrutura a uma das regiões mais valiosas da Lua. E a IM-5, ao mirar Mons Malapert com sete cargas úteis e dois rovers, entra nesse esforço como uma missão com peso claro no desenho do próximo capítulo da exploração lunar.

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