_Tecnologia

Novo chatbot promete identificar sinais de saúde mental em diferentes idiomas

Sistema analisa chamadas telefônicas para reconhecer sinais de alerta, compensando escassez de especialistas.

Novo chatbot promete identificar sinais de saúde mental em diferentes idiomas

Pesquisadores da Universidade Makerere, em Uganda, desenvolvem um sistema de inteligência artificial para identificar problemas de saúde mental em idiomas locais africanos como Swahili e Luganda. O projeto, iniciado recentemente, utiliza chamadas telefônicas do hospital Butabika, em Kampala, para treinar um algoritmo que poderá funcionar como chatbot terapêutico. A iniciativa busca enfrentar a escassez de profissionais especializados no continente.

O sistema analisa as ligações após a remoção de dados que identificam os pacientes. Assim, permite que a IA compreenda como falantes de idiomas locais descrevem seus sintomas mentais. De acordo com o The Guardian, a tecnologia está sendo programada para reconhecer sinais de alerta em conversas e determinar quando um paciente necessita de acompanhamento especializado.

A escassez de profissionais de saúde mental na África, junto com o estigma associado a essas condições, motivou a busca por soluções tecnológicas. O projeto visa criar uma ferramenta acessível que possa complementar os serviços existentes e ampliar o atendimento em regiões com infraestrutura limitada.

Colaboração entre instituições

A iniciativa conta com a colaboração entre a Universidade Makerere, o hospital Butabika em Uganda e o hospital Mirembe em Dodoma, Tanzânia.

A Professora Joyce Nakatumba-Nabende, diretora científica do Laboratório de IA Makerere, lidera o projeto com sua equipe. Eles trabalham em parceria com os hospitais para processar as chamadas e desenvolver o algoritmo que eventualmente poderá oferecer terapia em idiomas locais.

O desenvolvimento ocorre principalmente em Uganda e Tanzânia, onde os hospitais parceiros fornecem as chamadas que alimentam o sistema de IA. O projeto também recebe apoio de instituições internacionais, incluindo a Wellcome Trust, que financia diversas iniciativas de IA para saúde mental globalmente.

Vantagens da automação

Sobre os benefícios da tecnologia, Nakatumba-Nabende explica: “Quando você automatiza, é mais rápido. Você pode facilmente fornecer mais serviços às pessoas, e pode obter um resultado mais rápido do que se fosse treinar alguém para fazer um curso de medicina e depois se especializar em psiquiatria e depois fazer o estágio e o treinamento.”

A pesquisadora espera que o projeto permita que a força de trabalho existente possa “fornecer atendimento a mais pessoas” e “reduzir a carga de doenças de saúde mental no país”.

Miranda Wolpert, diretora de saúde mental da Wellcome Trust, destaca o potencial da tecnologia: “Nós estamos muito, no momento, dependentes de pessoas preenchendo, em efeito, questionários de papel e lápis, e pode ser que a IA possa nos ajudar a pensar mais efetivamente sobre como podemos identificar alguém em dificuldade”.

Regulamentação e segurança

Ainda não está definido como os órgãos reguladores estabelecerão parâmetros para o uso seguro da IA na saúde mental. Questões como o risco de “alucinações” dos sistemas ou resultados inadequados precisam ser consideradas, assim como o monitoramento em tempo real dessas ferramentas.

Bilal Mateen, diretor de IA na Path, ressalta a importância da regulamentação local. “‘Essa coisa funciona bem em Zulu?’, que é uma questão importante para a África do Sul, não é algo que o FDA [agência reguladora dos EUA] tenha considerado, eu acho.”

Reguladores como a Autoridade Sul-Africana de Produtos de Saúde (SAHPRA) e a agência britânica MHRA trabalharão no desenvolvimento de estruturas regulatórias para o uso de IA na saúde. A ONG Path, com financiamento da Wellcome, também participa desses esforços para garantir a segurança e eficácia das novas tecnologias.

Christelna Reynecke, diretora de operações da SAHPRA, enfatiza a necessidade de segurança. “Não vai começar a alucinar e dar resultados estranhos, causando mais dano do que benefício.” Ela acrescenta que o monitoramento não pode ser “após o evento, tão depois do evento que você pode ter colocado outros pacientes em risco porque não interveio rápido o suficiente.”

Dimensão global do problema

Aproximadamente um bilhão de pessoas no mundo enfrentam alguma condição de saúde mental atualmente. Na África, uma em cada dez pessoas lida com problemas de saúde mental, enquanto o continente enfrenta grave escassez de profissionais especializados na área.

Mateen conclui destacando a amplitude do desafio: “Um bilhão de pessoas ao redor do mundo hoje estão experimentando uma condição de saúde mental. Não temos apenas uma lacuna na força de trabalho na África Subsaariana; temos uma lacuna na força de trabalho em todos os lugares. Fale com alguém no Reino Unido sobre quanto tempo eles têm que esperar para acessar terapias conversacionais.”

Sair da versão mobile