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Pegadas de dinossauros ganham “IA detetive”

Cientistas desenvolvem sistema que analisa oito características distintas de marcas fossilizadas para determinar espécies que as deixaram.

Pegadas de dinossauros ganham “IA detetive”

Uma equipe internacional de cientistas desenvolveu um método baseado em inteligência artificial para determinar quais tipos de dinossauros deixaram determinadas pegadas fósseis. O sistema analisa oito características distintas de cada marca fossilizada para fazer a identificação. A revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences publicou a pesquisa.

O físico Gregor Hartmann, do centro de pesquisa Helmholtz-Zentrum Berlin, na Alemanha, liderou o estudo, com participação do paleontólogo Steve Brusatte, da Universidade de Edimburgo. De acordo com a Reuters, esta nova abordagem representa um avanço significativo na forma como os cientistas podem interpretar estes vestígios pré-históricos.

Desafio histórico na paleontologia

As pegadas estão entre os fósseis de dinossauros mais comumente encontrados, variando de marcas isoladas a conjuntos complexos semelhantes a pistas de dança pré-históricas. Porém, identificar corretamente qual espécie deixou cada marca tem sido um problema persistente na área.

“Associar a pegada ao seu autor é um enorme desafio, e os paleontólogos têm discutido sobre isso por gerações”, destacou Brusatte.

A dificuldade ocorre porque diversos fatores influenciam a formação dessas marcas. Hartmann explicou o problema central: “O problema é que identificar quem fez uma pegada fossilizada é inerentemente incerto. A forma de uma pegada depende de muitos fatores além do próprio animal, incluindo o que o dinossauro estava fazendo no momento, como caminhar, correr, pular ou até nadar, a umidade e o tipo do substrato (superfície do solo), como a pegada foi enterrada por sedimentos e como foi alterada pela erosão ao longo de milhões de anos. Como resultado, o mesmo dinossauro pode deixar pegadas com aparências muito diferentes.”

Como funciona o novo método

Para desenvolver a técnica, os pesquisadores utilizaram um algoritmo de IA que analisou 1.974 silhuetas de pegadas abrangendo 150 milhões de anos da história dos dinossauros. Assim, o sistema identificou oito características fundamentais que explicam as variações nas formas das pegadas.

Entre essas características estão a área de contato do pé com o solo, a posição de carga, a distribuição dos dedos, como os dedos se conectam ao pé, a posição do calcanhar, a carga do calcanhar, a ênfase relativa entre dedos e calcanhar, e a discrepância de forma entre os lados esquerdo e direito da pegada.

“Isso é importante porque fornece uma maneira objetiva de classificar e comparar pegadas, reduzindo a dependência da interpretação humana subjetiva”, afirmou Hartmann sobre a importância do método.

Variações extremas nas pegadas

As pegadas analisadas no estudo foram coletadas em diversos locais ao redor do mundo. Aliás, Brusatte comentou sobre a impressionante variação de tamanho encontrada: “A variação de tamanho pode ser bastante extrema, desde pequenas pegadas de dinossauros carnívoros do tamanho de marcas de galinhas em um celeiro até pegadas de dinossauros saurópodes de pescoço longo que são do tamanho de uma banheira.”

A ferramenta agora estará disponível para paleontólogos classificarem pegadas de dinossauros com maior objetividade. Porém, ainda não se sabe como o método se comportará com pegadas recém-descobertas ou em condições de preservação diferentes das utilizadas no estudo inicial.

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