Era agosto de 1883, quando o vulcão Krakatoa, na Indonésia, entrou em uma erupção tão intensa que marcou até o céu. A explosão teve a força equivalente a uma bomba de 200 megatons — quatro vezes maior que a da maior bomba nuclear já detonada, a Tsar Bomba, da antiga União Soviética.
No Estreito de Sunda, entre as ilhas de Java e Sumatra, o Krakatoa entrou em erupção e suas cinzas e gases mudaram as cores do Sol e da Lua. Ao nascer e ao se pôr, o Sol ganhava coloração vermelha vívida com toques de verde e de roxo. Já a Lua exibia um tom azul, diferente da conhecida superfície branca.
Os efeitos da erupção do Krakatoa foram vistos até a Europa e as Américas. Há quem questiona se o acontecimento inspirou o fundo colorido da obra O Grito, de Edvard Munch, pintada cerca de uma década depois na Noruega.
Por que isso aconteceu
As cores do céu refletem a interação entre a luz solar e a atmosfera terrestre. Em condições normais, as ondas de luz azul são mais curtas e as vermelhas, mais longas.
Dessa forma, no pôr do sol, quando a luz solar atravessa uma maior porção da atmosfera em ângulo baixo, os tons alaranjados surgem porque as ondas azuis se espalham e deixam as vermelhas dominar a paisagem.
Mas quando o ar está carregado de aerossóis, essas partículas dispersam e refratam a luz. Como consequência, intensificam os tons vermelhos e adicionam também nuances de roxo.
No caso da erupção do vulcão Krakatoa, cientistas descobriram que os aerossóis de sulfato vulcânico dispersaram a luz vermelha e deixavam um brilho esverdeado. Da mesma forma, intensificaram o tom de azul da Lua.
Destruição do Krakatoa
A erupção também teve efeito negativo ao redor do planeta, por meio de ondas de choque. O céu escureceu a milhares de quilômetros de distância.
A presença de cinzas e gases vulcânicos atingiu a atmosfera terrestre, bloqueando o Sol. Isso fez com que a temperatura média global caísse cerca de 0,6 °C por vários meses.
Além disso, o estrondo da erupção teve mais de 310 decibéis. Isso significa que foi forte o suficiente para romper os tímpanos de pessoas a 64 quilômetros de distância do vulcão.
A intensidade da explosão mudou a cor no céu, mas na terra deixou cerca de 36 mil mortes. No total, 165 vilarejos foram completamente destruídos por tsunamis de lava.
Os que sobreviveram a isso, morreram devido ao fluxo de gases quentes e material vulcânico que atingiu a ilha vizinha de Sumatra.
