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Coreia do Sul: saiba como lojas 24h funcionam sem atendentes

Lojas operam com autoatendimento e robôs, impulsionadas por custos trabalhistas e escassez de mão de obra

Coreia do Sul: saiba como lojas 24h funcionam sem atendentes

Estabelecimentos sem funcionários, que funcionam 24 horas e operam com robôs ou sistemas de autoatendimento, se multiplicam pela Coreia do Sul. O movimento é impulsionado pelo aumento dos custos com mão de obra e pela dificuldade crescente de contratar trabalhadores adequados.

Segundo levantamento da Agência Nacional de Incêndios do país, esses estabelecimentos chegaram a 9 mil unidades até o fim de 2024. A operadora de pagamentos Samsung Card estima que o número quadruplicou entre 2020 e 2025. O modelo abrange desde cafeterias e lanchonetes de ramen até petshops e boutiques de roupas.

O fenômeno reflete uma crise demográfica estrutural. A Coreia do Sul tem uma das menores taxas de natalidade do mundo, e o governo projeta que a população atual de 51,8 milhões de habitantes encolha quase um terço, chegando a 36,2 milhões até 2072. A escassez de trabalhadores jovens já afeta setores como o de cafeterias.

Robô barista e rentabilidade acima de 40%

Kim Dongjin, diretor-executivo da Lounge X, afirma à Reuters que “a população de baristas na faixa dos vinte anos está declinando drasticamente”. A empresa opera oito cafeterias 24 horas completamente sem funcionários na Coreia do Sul, a maioria em Seul, e mais quatro unidades com atendimento humano. Nas lojas automatizadas, um braço robótico chamado “Baris” prepara americanos e matcha lattes a partir de pedidos feitos em quiosques.

Kim, veterano de 20 anos no setor de café, ingressou na XYZ Robotics, controladora da Lounge X, há sete anos para desenvolver o modelo. A empresa testou inicialmente um formato híbrido, com um ou dois baristas por loja. Hoje, cada unidade exige apenas uma visita humana de uma hora pela manhã, para reposição de insumos como grãos de café e produtos de padaria, além da limpeza.

A rentabilidade é o principal atrativo do modelo. Embora as vendas das lojas com atendentes ainda sejam maiores, Kim afirma que a economia com mão de obra eleva a lucratividade de cada unidade automatizada para mais de 40%. Nas cafeterias convencionais equivalentes, a margem gira entre 10% e 15%.

Honestidade dos clientes como pilar do sistema

O modelo depende do comportamento dos consumidores. Hyun Sun-Joo, que assumiu uma lanchonete de ramen sem funcionários no ano passado para complementar a renda após anos como mãe em tempo integral, relata que “embora tenha ocorrido um episódio de furto, a grande maioria dos clientes usa o estabelecimento de forma consciente”. No formato de autoatendimento, os clientes escolhem o macarrão instantâneo nas prateleiras e adicionam água quente e os complementos de sua preferência.

A baixa criminalidade sul-coreana é apontada pelos proprietários como fator que viabiliza o modelo. Hyun acrescenta que o sistema lhe dá flexibilidade para conciliar as obrigações domésticas e a rotina dos filhos, sem a necessidade de gerenciar uma equipe.

Entre os frequentadores, a estudante Kim Hee-yeon afirma ir ao estabelecimento pelo menos uma vez por semana. “Gosto de comer tranquilamente enquanto olho para o meu celular, então me sinto psicologicamente mais confortável quando não há ninguém por perto”, declarou ela. 

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