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Drones atuam em teste contra incêndios florestais na Califórnia e Alasca

Sistemas autônomos despejam água e retardantes de chamas em focos iniciais para evitar grandes proporções.

Drones com IA treinam para apagar incêndios antes que se espalhem

Drones capazes de despejar água e retardantes de chamas estão sendo testados nos estados norte-americanos da Califórnia e do Alasca para combater incêndios florestais nas fases iniciais. As demonstrações apontam para uma possível ferramenta de resposta rápida em um cenário em que as mudanças climáticas transformaram a temporada de incêndios em um risco praticamente permanente para grande parte dos Estados Unidos.

Os testes envolvem tanto agências governamentais quanto a competição XPRIZE Wildfire, avaliada em US$ 11 milhões. O objetivo comum é verificar se drones conseguem apoiar equipes de bombeiros no controle de focos pequenos antes que evoluam para incêndios de grande escala. Veja:

Testes na Califórnia

De acordo com o Ars Technica, o Departamento Californiano de Silvicultura e Proteção contra Incêndios, o CAL FIRE, realizou um teste de campo recentemente com cinco drones autônomos operando em conjunto. Os equipamentos descarregaram entre 500 e 1.000 galões de espuma para supressão de incêndios, de acordo com a emissora de TV KPMH. A demonstração contou com a organização da entidade sem fins lucrativos FireWERX e da empresa californiana Seneca, fabricante dos drones, que devem entrar em comercialização ao longo de 2026.

Cada drone Argo-1, da Seneca, transporta cerca de 45 quilos de água ou retardante e opera em grupos de quatro a seis unidades. Após um operador humano inserir um ponto de GPS, os drones voam de forma autônoma em direção ao alvo e utilizam sensores a bordo para identificar a assinatura térmica do fogo, conforme descreveu a HeliOps Magazine. Em seguida, os equipamentos determinam a melhor altitude de voo e se posicionam em fila para borrifar o incêndio, um após o outro.

Com carga completa, os drones têm autonomia para percorrer até 16 quilômetros de ida e volta, a uma velocidade média de cerca de 48 km/h. Essa limitação exige que sejam pré-posicionados em áreas de risco ou transportados por veículo terrestre. Cada unidade, no entanto, cabe na caçamba de uma caminhonete com a tampa aberta, e duas pessoas conseguem carregá-la manualmente quando vazia.

A meta da Seneca é preparar um drone para novo voo em dois minutos, um tempo suficiente para reabastecer o compartimento de carga e trocar a bateria de uma unidade que acabou de retornar. A empresa já havia apresentado a tecnologia ao Corpo de Bombeiros do Condado de San Bernardino em dezembro de 2025.

Testes no Alasca e primeiros contratos

A competição XPRIZE Wildfire levou o sistema autônomo Silvaguard, desenvolvido pela empresa alemã Dryad Networks, a testes finais nas proximidades de Fairbanks, no Alasca, em junho de 2026. O sistema integrou a rede de detecção Silvanet, da própria Dryad, para identificar e suprimir um incêndio de forma autônoma dentro de uma área de teste de mil quilômetros quadrados.

A rede de detecção utiliza sensores solares instalados em árvores para identificar a fumaça de focos incipientes. Quando um sensor aciona um alerta via rede mesh sem fio até um gateway conectado à internet, um drone de observação Silvaguard decola para confirmar e geolocalizar o fogo por meio de câmeras infravermelhas e ópticas, além de descartar falsos alarmes. A confirmação libera um drone de supressão para despejar até 98 litros de agente extintor sobre o foco. As unidades podem ser abrigadas em hangares esféricos movidos a energia solar.

O primeiro contrato comercial já foi firmado. O Distrito de Proteção contra Incêndios de Aspen, no Colorado, fechou um acordo de US$ 5 milhões para o uso de cinco drones da Seneca ao longo de cinco anos. O CAL FIRE, por sua vez, ainda não contratou drones para combate a incêndios, mas representa um cliente potencial de grande porte. A agência californiana já opera a maior frota aérea de combate a incêndios do mundo, com mais de 70 aeronaves e helicópteros tripulados, além de redes de câmeras com inteligência artificial e apoio ao desenvolvimento da constelação FireSat, projetada para detectar incêndios florestais a partir do espaço.

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