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Cientistas transformam rim em “doador universal” pela 1ª vez

Estudo detalha 1º transplante que transformou rim de um indivíduo com tipo sanguíneo A em tipo sanguíneo O

Maioria dos órgãos oferecidos aos estados para transplante não foi aproveitada

Pela primeira vez, um estudo realizou o transplante de um órgão convertido por enzima despojado de antígenos do tipo sanguíneo A e convertido em um órgão do tipo O. Isso significa que os cientistas transformaram um rim em um doador universal com sucesso. Agora, a técnica ECO (órgãos convertidos por enzimas) passará por testes clínicos.

Após 70 anos do surgimento do transplante de órgãos, melhorias significativas já ocorreram ao longo das décadas. Entretanto, o procedimento ainda enfrenta desafios, como a disponibilidade, já que há mais pessoas precisando de transplante do que órgãos disponíveis. Por isso, os órgãos convertidos por enzimas podem tornar essas cirurgias mais rápidas e seguras.

A resposta imune inata do corpo humano é a primeira linha de defesa contra patógenos estranhos e doenças perigosas. Mas no caso dos transplantes, o mecanismo de defesa atua contra , rejeitando órgãos saudáveis com antígenos sanguíneos não correspondentes.

Como pessoas com o tipo sanguíneo O são “doadoras universais”, porque seu tipo sanguíneo não possui antígenos A ou B na superfície de suas células sanguíneas, cientistas se perguntaram se seria possível transformar órgãos de um tipo sanguíneo para outro.

Depois de anos de questionamentos, um novo estudo na revista Nature Biomedical Engineering detalhou o primeiro transplante de um ECO. Ele transformou um rim tipo A em um rim tipo O – em um paciente com morte cerebral para análise dos resultados. Por dois dias, o rim funcionou sem sinal de rejeição hiperaguda, que pode ocorrer em minutos. No terceiro dia, houve uma reação leve, mas menos grave do que a de um órgão incompatível.

“Esta é a primeira vez que vemos isso acontecer em um modelo humano”, declarou Stephen Withers, coautor do estudo, em um comunicado à imprensa. “Isso nos dá uma visão inestimável de como melhorar os resultados a longo prazo.”

Técnica pode beneficiar transplantes

Withers e Jayachandran Kizhakkedathu, da Universidade da Colúmbia Britânica, começaram a trabalhar na técnica no início dos anos 2010. Ela usa certas enzimas para agir como uma espécie de “tesoura molecular” capaz de cortar as etiquetas que identificam os antígenos do tipo A e deixar para trás as etiquetas do tipo O por baixo. “Uma vez feito isso, o sistema imunológico não vê mais o órgão como algo estranho”, disse Whiters.

Enquanto outros métodos de transplante de órgãos incompatíveis exigem um doador vivo e dias de trabalho, a nova abordagem poderia alcançar melhores resultados mais rapidamente, além de funcionar com doadores falecidos.

A notícia é boa sobretudo para pacientes com o tipo sanguíneo O, doadores universais que só podem receber órgãos do mesmo tipo. Por isso, muitas vezes podem esperar de dois a quatro anos ou mais para receber uma doação do que outros receptores.

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