Pesquisadores descobriram, na região do norte da província de Barranca, no Peru, uma cidade no meio da região amazônica que pode ter servido de entreposto comercial há 3.500 anos. Segundo o Ministério da Cultura peruano, a cidade de Peñico provavelmente ligava populações da costa do oceano Pacífico aos povos dos Andes e Amazônia peruana.
“Este centro urbano se desenvolveu seguindo a tradição cultural de Caral. Devido à sua localização estratégica, conectava assentamentos no litoral e nas montanhas Supe e Huaura, bem como aqueles que viviam no território andino-amazônico e na região alto-andina”, disse a arqueóloga Ruth Shady, vinculada ao Ministério da Cultura.
Os antigos habitantes fundaram o centro urbano de Peñico por volta de 1800 a.C. e o construíram a 600 metros acima do nível do mar. Seus construtores – herdeiros da tradição caralina – escolheram esta localização estratégica por vários motivos. Sendo os principais: realçar a grandeza de seus edifícios, proteger contra inundações e promover a interação e o intercâmbio.
Pesquisadores levantaram a hipótese de que, após o declínio do prestígio das primeiras e mais antigas cidades do Vale do Supe, os habitantes de Peñico continuaram participando ativamente das redes de interação social e econômica estabelecidas em épocas anteriores.
É possível que o prestígio alcançado pela sociedade peñica no vale, aliado ao seu papel como polo na rede de trocas, estivesse ligado à extração e circulação de hematita, um mineral usado para produzir um pigmento vermelho.
Como era a cidade amazônica
Até o momento, os pesquisadores identificaram 18 estruturas em Peñico, incluindo grandes e pequenos edifícios públicos e complexos residenciais. Em alguns edifícios, por exemplo, é possível ver desenhos dos instrumentos musicais pututus retratados nas paredes.
O pututu, uma trombeta de concha, desempenhava papéis cruciais nas sociedades andinas. Isso porque, ela convocava reuniões e anunciava eventos importantes. Além disso, era também considerado uma importante oferenda ritual às divindades, em gratidão pelos benefícios solicitados e recebidos.
O sítio arqueológico de Peñico fica a aproximadamente quatro horas de carro da capital Lima. Os visitantes devem entrar pelo desvio do Vale do Supe (via Caral – Ámbar), localizado no quilômetro 184 da Rodovia Panamericana Norte. A partir desta entrada, só percorrer 34 quilômetros para chegar a Peñico.
