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Neblina pode carregar um oceano de bactérias

Neblina analisada nos EUA tinha bactérias em gotículas e micróbios capazes de consumir poluentes do ar.
Imagem: Unsplash

Cientistas analisaram gotas de neblina de 32 eventos meteorológicos na Pensilvânia, nos Estados Unidos, ao longo de dois anos. No estudo publicado no Environmental Microbiology, os pesquisadores encontraram bactérias vivendo nessas gotículas, em uma concentração comparável à dos oceanos, com possível papel na limpeza da atmosfera.

A neblina não é só água suspensa

A explicação pertence à microbiologia. A neblina pode carregar uma comunidade ativa de microrganismos.

Os pesquisadores estudaram a chamada neblina de radiação. Ela se forma durante a noite, quando o calor que sai do solo esfria rapidamente o ar próximo à superfície.

Esse tipo de névoa aparece rente ao chão e pode envolver cidades, campos e estradas. Agora, o estudo mostra que ela também pode funcionar como habitat temporário para bactérias.

O que apareceu nas gotículas

A equipe coletou amostras em 32 episódios de neblina no centro da Pensilvânia. A análise mostrou que cerca de 1% das gotículas continha bactérias.

O número parece baixo. Porém, a escala muda quando todas as gotículas entram na conta.

Ferran Garcia-Pichel, da Universidade do Estado do Arizona, afirmou ao Popular Mechanics que a concentração total de bactérias na neblina se aproxima da encontrada no oceano. Para ele, se esses microrganismos crescem ali, as gotículas deixam de ser apenas transporte e viram habitat.

Bactérias que comem poluição

Uma das descobertas mais relevantes envolve as metilobactérias. Esse grupo consegue consumir compostos simples de carbono, como o formaldeído.

O formaldeído pode surgir quando o metano passa por reações fotoquímicas com a luz solar. O poluente pode prejudicar a saúde humana, irritar as vias respiratórias e afetar a camada de ozônio.

Os pesquisadores compararam o ar antes e depois de eventos de neblina. Eles observaram aumento de metilobactérias após a névoa, sinal de que esses organismos estavam crescendo.

Thi Thuong Thuong Cao, autora principal do estudo, afirmou que a equipe viu as bactérias aumentando de tamanho e se dividindo ao microscópio. Ela também disse que elas usavam formaldeído como alimento.

O que ainda falta entender

A descoberta não transforma neblina em ameaça biológica. Ela mostra que o ar úmido perto do solo pode sustentar comunidades microbianas por algum tempo.

Ainda existem dúvidas importantes. Regiões costeiras podem ter concentrações diferentes de micróbios. Também falta entender como esses organismos se comportam à noite, quando muitas reações atmosféricas perdem a energia da luz solar.

O estudo reforça uma ideia com impacto científico claro. A atmosfera não é um espaço vazio entre o solo e as nuvens. Ela também pode funcionar como ambiente vivo, com bactérias que viajam, crescem e ajudam a transformar compostos químicos no ar.

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Hemerson Brandão

Hemerson Brandão

É editor-chefe, repórter e copywriter, escrevendo sobre espaço, tecnologia e, às vezes, sobre outros temas da cultura nerd. Grande entusiasta da astronomia, também é interessado em exploração espacial e fã de Star Trek.