Astrônomos encontraram a primeira evidência de que anãs vermelhas podem consumir planetas de seus próprios sistemas. O sinal apareceu no lítio detectado em seis estrelas pequenas, algo que não deveria existir nelas em quantidade relevante.
O que foi descoberto
No estudo publicado no Monthly Notices of the Astronomical Society, a equipe analisou dados do levantamento espectroscópico Gaia-ESO e encontrou anãs vermelhas com teor alto de lítio.
Esse elemento funciona como uma pista química. Anãs vermelhas deveriam destruir rapidamente o lítio original em seus interiores quentes e violentos.
Robin Jeffries, da Universidade Keele, na Inglaterra, afirma que quando esse material aparece na atmosfera dessas estrelas, a explicação mais provável envolve a ingestão de matéria planetária. Isso porque planetas preservam lítio de sua formação inicial.
Por que isso importa
Anãs vermelhas têm entre 8% e 60% da massa do Sol. Elas são menores, mais frias e menos brilhantes que a nossa estrela.
Mesmo assim, seus interiores queimam lítio com eficiência durante os processos de fusão nuclear. Essa fusão gera a energia que a estrela libera para o espaço.
A presença de lítio não combina com o comportamento esperado. Ela aponta para um acréscimo recente ou externo de material rico nesse elemento.
A equipe encontrou seis anãs vermelhas em três aglomerados estelares diferentes. Todas apresentavam mais lítio do que os modelos previam.
Quantos planetas entraram nessa conta
De acordo com o Space.com, a análise indica que essas estrelas podem ter consumido matéria equivalente a três a dez Terras.
Isso não significa necessariamente três a dez planetas iguais ao nosso. O número representa a quantidade total de material planetário envolvida.
Esse material pode incluir planetas, fragmentos ou componentes de sistemas em formação.
A descoberta dá força a uma suspeita antiga. Cientistas já consideravam possível que anãs vermelhas engolissem mundos próximos, mas faltava uma evidência observável.
Um fenômeno comum na galáxia
O resultado ganha peso porque anãs vermelhas dominam a Via Láctea. Elas representam cerca de 75% das estrelas da nossa galáxia.
Se esse processo ocorrer com frequência, muitos sistemas planetários podem passar por fases destrutivas em seus primeiros capítulos.
A próxima etapa deve investigar quando essas estrelas mais costumam consumir seus planetas. Essa resposta pode ajudar a reconstruir a juventude de sistemas planetários.
A descoberta também muda a leitura sobre mundos ao redor de estrelas pequenas. Esses sistemas podem parecer estáveis hoje, mas suas atmosferas estelares guardam sinais de eventos violentos no passado.
